quarta-feira, 14 de maio de 2008

Todo o meu corpo é letras...

O meu braço é uma palavra
da frase que é a perna
e o cabelo acrescenta vírgulas
porque o pé não soube pontuar
a oração escrita pela barriga

Bem dito! espirra o nariz....
Essa palavra já não se usa! o joelho diz...
uma quadra entoa o queixo...
Plágio - berra a mão - essa é do Aleixo!

O dedo em riste apontado à unha, irritado diz...
- Deixem o peito descansado, que já solta o seu verso branco
Com o qual as costas rimam entretanto...

O calcanhar cansado mas a sorrir, quer parar para reflectir.
Os gémeos acham importante a reflexão, facto que não agrada à mão:
- Calcanhar, põe-te a andar, só tens que pensar no chão!

Enquanto isto, o ombro lê uma história de encantar enquanto acaricia o pescoço...
- Ai que dores - gritam os pés - tanto que me dói este osso!
As orelhas, embora bem longe, ouvem todo aquele lamento e fazem-no ressoar cá dentro...
A cabeça concorda e divulga a lembrança...pois é, o corpo descansa...

A mão discorda mas os sorrisos são gerais.
- Amanhã já se avança - ordenam os lábios
Todo o meu corpo é letras e nada mais...


...

2 comentários:

Anônimo disse...

É sempre com muito agrado que leio estas linhas.
A sedução deste jogo de palavras, a riqueza das imagens que elas nos trazem é fantástica!
A www é um bom veículo de divulgação, mas esta Arte já merece um livro!
Quando saír o primeiro quero um exemplar autografado!
Em frente, João!
Henrique

Anônimo disse...

As letras sempre me seduziram!
A poesia sempre me piscou o olho!
Tem sido um gosto seguir-te nesta tua paixão.
A Vela é um bom berço e merece a sensibilidade de um filho assim...
Graça (a tia)